Andamento

Saturday, November 06, 2004

como tudo começou...

Que esperar de nós?
...vive de um múltiplo desafio: ser o pimeiro trabalho de um grupo de teatro na Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian de Lisboa e ser uma proposta de animação e utilização do espaço escolar. Assumimos desde o princípio que a ideia de criar um grupo de teatro teria de ser algo que fosse crescendo, conquistando os próprios meios para seguir o seu percurso de experiências. Por isso mesmo resolvemos utilizar os espaços da escola. na verdade, todos nós, de uma forma ou de outra, utilizadores e frequentadores desse mesmo espaço, também queríamos conhecer uma escola diferente. Até onde poderia ela ir, até onde poderia ela ir na sugestão de histórias?

Começamos de várias formas e muitas delas fizeram-nos voltar á estaca zero. O movimento começou a sair do sítio quando perguntámos a cada espaço, o que ele nos poderia contar. foi assim que a biblioteca e a máquina de fotocópias nos contaram a história de um Quasímodo Autista, ou que a lavandaria nos levou até Maria, ou que a árvore nos levou até Méan, uma alegoria do confronto entre a natureza e a cultura, que o elevador nos trouxe o Aterrorizado. Neste rasto entre personagens outros vieram pelo seu próprio pé, como a Pintora que insiste em colocar cor, cores, todas as cores, no mundo, no seu mundo, a Mulher de Esperanças, ou , a Maria Alexandra. Uma outra personagem acabou por ditar o desenlace deste trabalho: trata-se de alguém, uma mulher, que teve de resgatar o tempo que antes de si os seus antecessores viveram a mais.

E é assim que acaba por ditar o destino de todos eles ao abrir a condição ética, a da responsabilidade: o tempo que temos de viver é um tempo que devemos a todos, ao mundo em que vivemos e dessa forma - recuperando a ideia da barca vicentina - no auto da barca do inferno, os personagens vão ser interpelados e justificar o interesse e a necessidade que continuem a viver.

E se é isto, a história de todos estes personagens quando confrontados com a necessidade de terem de justificar - não já o direito ao paraíso como nos auto de Gil vicente - a sua própria condição de vida. Que esperar de nós? é também uma história de amor, entre Quasímodo Autista e Maria, a Lavadeira, história de amor que vos confidenciamos e segredamos, na esperança de que o teatro seja isso mesmo, um segredo que de boca em boca vai abrindo o caminho.
jpn

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