Andamento

Saturday, November 06, 2004

um pedaço de mim, para sempre!

Percebi que não saberia responder à pergunta de uma forma fácil e rápida. Sinto que, aconchegado em mim, também te questionaste… Estaria a imaginar? Nem eu sei bem o que esperar de mim… olho para esta minha barriga, tão redonda, tão perfeita, e vejo-te pequeno, reguila, brincalhão… a correr de um lado para o outro. Feliz. Acho que podem esperar que eu te faça feliz, todos os dias. E que te abrace, e que te beije. A pergunta parece empurrar-me para um muro alto, intransponível, onde não posso fugir à resposta. E eu não consigo responder sem pensar ou falar de ti. Isto se calhar porque o que se poderá esperar de mim sejas tu. Uma nova vida, uma nova força. Um pequeno vulcão pronto a lançar o fogo que destrói mas que, com o tempo, transforma. É como se tu próprio fosses a resposta. Arrisquei continuar a acreditar que sobreviveria à formação desse vulcão. E ainda acredito. É como se tu próprio fosses a resposta. É a vida que em ti, por ti, responde. É como as árvores, as flores, o vento, os rios, os mares. Quem pode justificar a sua existência senão a vida, este dinamismo que indiferente aos cataclismos e tempestades continua a unir o momento que passou ao momento que virá? Está quase a chegar a altura de comprovares por ti mesmo que esta ciência da vida, este riso da natureza e do humano existe. Está quase. Não tarda nada estarás aqui, comigo e com o mundo. Prometo que te ensinarei a nadar. Voltarás assim à água em que, em mim, foste feito. Agora percebo o brilho que se me abeira aos olhos quando falo de ti. És já vida: minha, tua, nossa. É tão estranho, e também tão lindo, dizer isto. És no fundo o que eles podem esperar de mim. És tu a resposta a todas as minhas perguntas. Um pedaço de céu, mar, vento, terra… um pedaço de mim. Para sempre.

Mariana

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